Patrono


O pioneiro, falecido em 2010, aos 99 anos de idade, foi proeminente empresário e inventor da colheitadeira de café

Veja a seguir o perfil* de Shunji Nishimura, por Sergio Crusco:
(*publicado na Revista da Industria, de abril de 2008)


Shunji Nishimura – O legado da esperança

Empresário Shunji Nishimura
Foto: Jefferson Dias (Arquivo Revista da Industria)
O empresário Shunji Nishimura, patrono da escola Senai em Pompeia

“Sempre tive esperança no Brasil”. A frase é repetida várias por Shunji Nishimura, 98 anos, fundador do grupo Jacto, com quem conversamos na escola agrícola que leva seu nome, em Pompeia, no interior de São Paulo.

Tomamos o café plantado, torrado e processado pelos alunos de Nishimura, que abdicou da presidência de suas empresas nos anos 80 e decidiu dar sua retribuição técnica e afetiva ao país que o acolheu, tornando-se educador. Além da Escola Técnica Agrícola de Pompeia, a Fundação Shunji Nishimura mantém uma escola fundamental e outra, em parceria com o Senai-SP, com ênfase no ensino de mecânica.

Nishimura, natural de Kioto, deixou em 1932 um Japão assolado pela crise econômica e escolheu o Brasil por um motivo muito simples: a passagem era gratuita. Antes de partir, estudou na escola técnica de Rikkokai, que preparava profissionalmente os imigrantes.

Mas seus conhecimentos de mecânica não foram utilizados inicialmente: trabalhou na lavoura de café na região de Botucatu (SP), foi garçom, faz-tudo no Rio de Janeiro, mudou-se para São Paulo e integrou uma malograda sociedade para produzir latas de chá. “Trabalhei um ano e consegui comprar um par de sapatos. Trabalhei mais um ano e comprei outro par. Pensei: ‘ Um par de sapatos por ano não dá’. E resolvi mudar.”

Desencantado com os insucessos, já casado com Chieko, que conhecera na capital paulista, e com uma filha, Matiko, foi para a Estação da Luz disposto a viajar para o lugar mais longe possível. Comprou um bilhete para o fim da linha, na direção oeste do Estado de São Paulo, e chegou a Pompeia.

“Conserta-se tudo”, dizia a placa que pregou na porta de sua oficina recém-inaugurada. O valente empreendedor vasculhava todo tipo de oportunidade: consertava veículos, motores, prestava serviços de encanador e chegou até a inventar um alambique para destilar mentol da hortelã.

O “japonês que conserta tudo” também era encarregado de dar um jeito nas polvilhadeiras manuais importadas. Irritado com a frequência com que as máquinas quebravam, um agricultor lançou um desafio a Nishimura: fabricar uma polvilhadeira brasileira que não desse dor de cabeça.

O sucesso foi imediato. Um exemplar do primeiro modelo criado pela pequena oficina – que logo se transformaria na Indústria de Máquinas Agrícolas Jacto – está hoje no museu da Fundação. “Você viu?” ele pergunta. “Mexeu?” Diante da resposta afirmativa, abre um sorriso: “Tá vendo? A primeira máquina de Nishimura funciona até hoje”.

Começava, enfim, a prosperidade. Nishimura passou a lançar polvilhadeiras, cada vez mais práticas e resistentes, e ainda criou ceifadeiras, máquina para secagem de grãos, gaiolas para criação e galinhas, roçadeiras adaptadas a tratores. Nos anos 50, a Jacto era uma empresa reconhecida nacionalmente. Na década seguinte, foi precursora da utilização do plástico na fabricação de equipamentos agrícolas.

Nos anos 70, lançou uma colhedeira automática, que revolucionou a agricultura. Até hoje, na era da automação, a empresa é ponta-de-lança de novas tecnologias, vendendo seus produtos para 90 países, nos cinco continentes do planeta. Aos jovens que passam por sua escola, Nishimura, condecorado no Brasil e no Japão, não cansa de repetir a razão de seu sucesso. “Metade trabalho, metade estudo. Quem acompanha meu pensamento só pode subir.”

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